Review | #NãoSejaUmPorquê, a mensagem dessa necessária série

Apresentada como uma série teen, “13 Reasons Why” não é como qualquer coisa do gênero que já vimos. Na verdade, é uma série que os adolescentes precisam ver, mas que antes, precisam estar preparados. Ela choca, ela é pesada, mas ainda sim, é um tapa na cara e fonte de conscientização por parte de quem acompanhou junto com Clay, cada ‘porque’ que levou Hannah Baker ao suicídio.

A forma na qual tratamos as situações da vida ou na qual a sociedade trata, está escancarada aqui e nós vamos tentar recapitular isso:

A Reputação de Hannah

Alex, Tyler, Marcus, Courtney, Ryan e Zac foram metade dos pilares que sustentaram o ápice de Hannah. Claramente, o ápice foram os acontecimentos da festa de Jessica e o que veio depois disso.

Mas até lá, fomos envolvidos nas histórias desses seis, que em sua maioria, se apoiaram em um boato inventado por Justin, para aliviar seus problemas, como Courtney, ou se crescer para os outros, como Alex e Marcus.

Fizeram com que Hannah se tornasse, como ela diz, uma caça. Muitos disseram que a lista era “apenas um elogio”, mas são de “apenas elogios” que o machismo come pelas bordas e coloca garotas nessa situação. Situação como a de Jess, que culpou a amiga (vítima) por isso.

Foram longos episódios, longos mesmo, afinal a única coisa que acabou prejudicando essa série, foi sua duração até chegar nos maiores acontecimentos.

Clay Jensen

Clay, nosso protagonista. Primeiro, palmas para Dylan Minnette, o ator espetacular que viveu a bagunça psicológica desse personagem. Ele é inseguro, difícil, tímido e um pouco devagar em ouvir fitas.

Uma série toda esperando para saber o que o amável Clay fez de tão horrível. Sendo que ele apenas foi ele mesmo, um inseguro que obedeceu as palavras da garota.

Nessa cena, vimos que Hannah se culpava pelo trauma que sofria, depois de tantos garotos que a assediaram. Vimos no presente, a culpa corroer Clay, que poderia ter mudado isso se ficasse e falasse o “eu te amo”, enquanto ela ainda estava viva. Que cena foi aquela hen!

No fundo, Clay era diferente dos outros e nos doeu ver a imaginação de Hannah, do como seria a vida dela com o garoto e saber que aquilo não aconteceu.

Jess e Justin

jessejustin

Jess e Justin, tão amáveis. Isso mesmo, eles são os ‘porquês’ mas legais da história. Não é o fato da pessoa ser um ‘porque’, que não devemos gostar dela.

Jess e Justin erraram sim, não tanto quanto uns ou até mais que outros. Mas, não podemos ignorar o histórico de Justin, por exemplo, quem não se assustou com a cena em que o garoto é enforcado pelo namorado da mãe?

É aí que “13 Reasons” nos mostra que se procurarmos bem, sempre tem algo no fundo. Justin não soube lidar com algo tão grave envolvendo a namorada e o garoto que te dá auxilio, Justin não se impôs a esse garoto na hora que ele divulgou a foto de Hannah. Mas a mãe de Justin, tem um dedo maior nessa situação do garoto.

Lembrando que Hannah foi obrigada a assistir o estupro da amiga e sem reação, não fez nada. A série já nos dava indicio de que começaria a ficar mais pesada.

Acidente de Jeff

Se sentindo uma pessoa errada por não ter agido naquela situação, Hannah pega uma carona com Sheri e o ‘certo’ ou ‘errado’ é posto em questão novamente. Aquilo parecia uma simples placa de STOP derrubada, mas Hannah estava cansada de agir errado e se revoltou pela amiga não chamar a polícia.

Porém, soubemos que resultado da placa quebrada foi um dos mais doloridos da série. Jeff era espetacular, mesmo nas poucas cenas em que aparecia. Fomos descobrindo que garoto faleceu de uma forma trágica e ainda culpado de dirigir bêbado.

Isso causou um impacto tanto em Clay, como em Hannah, que sabia da história da placa e fez a ‘coisa errada’.

No presente, vimos que Sheri é atingida pela culpa de não ter evitado aquilo todos os dias e aos poucos, tenta se redimir perante a história. Mesmo que fique a cargo de Clay, honrar o brilhante Jeff, alertando sua família de que ele não estava bêbado.

A 12ª fita

Chegamos ao ápice dos ápices. Uma das coisas mais difíceis de serem assistidas. Hannah em sua difícil busca de ser ‘legal’ como os outros, acabou sendo violentada por Bryce, garoto que já tinha violentado sua amiga.

Foi uma cena chocante e necessária, tão chocante quanto o resultado disso, que foi a cena que vimos ela praticando o suicídio. Vocês que assistiram, me respondam, rolou agonia, angústia, choro? Por que para nós, foi tudo ao mesmo tempo.

O pior é saber que os ‘Bryces’ estão presentes na vida real (na nossa política). Sim, caras com frase do tipo: “Todas na escola querem ser estupradas” estão aí e a forma com qual a escola lidou com o pedido de ajuda de Hannah, nos mostra como a sociedade reage a isso.

Sempre tentando evitar que o estupro seja chamado de estupro, o conselheiro da escola mostra como a imagem é mais importante que a saúde dos alunos.

Nada a acrescentar mais do que a frase de Jess: “- É isso o que acontece quando garotas pedem ajuda”

13reasonswhy

A série abusa na mistura dos flashbacks. Os mais ensolarados para mostrar a vida de Hannah e os mais neutros para mostrar o peso da vida sem a garota.

Um roteiro que não vai te explicar o que acontece. Você aos poucos vai descobrindo, enquanto ele te dá pistas do tipo: Quem morreu no acidente?, O que aconteceu no quarto da Jess? Isso acaba fazendo o mistério crescer e os plot-twists serem impactantes.

Com um final plausível e cheio de perguntas para uma season 2. “13 Reasons Why” termina como uma das séries mais necessárias, pesadas e maravilhosas de todas, sem exagero algum.

Por mais que choque, os ‘porquês’ são reflexos de nós mesmos e a trama é o ponto para refletirmos que nossas palavras e atos tem peso, por isso, a #NãoSejaUmPorquê é necessária e o maior ensinamento que fica é: Seja bom, sempre.

Guilherme Silva

Louco por cultura pop desde que se entende por gente e um coração dividido entre Cinema e Séries. 🎬 Filmes teens dos anos 90, Teen Wolf, Game of Thrones e Selena Gomez são uma combinação perfeita 💜 Me segue no Twitter que eu falo umas coisas super úteis (ou não)

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